Outras atividades

Seminário de Cultura Negra e Psicanálise


Proposto e realizado de 31 de agosto a 4 de setembro de 2008 pelo Instituto Palmares de Direitos Humanos - IPDH, em parceria com o Instituto OCA e com a Associação Digaí-Maré, o Seminário de Cultura Negra e Psicanálise teve por objetivo a construção de um novo canal de interlocução entre áreas de conhecimento que, ao produzir um diálogo, possibilitem a abertura de novos campos de reflexões, de formulações e de pensamentos para a cultura afro-brasileira.

Vanda Ferreira, Ivanir dos Santos, Lucia Xavier, Conceição Evaristo, Lara Pamplona, Lia Vieira, Éle Semog, Denise Barata, Julio César de Tavares e Janaína de Oliveira (Re.Fem.), especialistas em cultura afro-brasileira, e Jairo Gerbase, Graça Pamplona, Nayara Mallon, Marícia Ciscato, Eliane Schermann, Guilherme Gutman, Clarice Gatto, Olympio Xavier, Marcus André Vieira e Romildo do Rêgo Barros, especialistas em clínica psicanalítica, foram os conferencistas que compuseram as seguintes mesas:

Mesa 1 - Subjetividade, Resistência e Discursos
: o sujeito, o sujeito da psicanálise, o cidadão e o desejo, o desejo o mal-estar e a civilização, a resistência subjetiva e a resistência no campo social, o mal-estar e as identificações do sujeito. Quais diálogos permitem pensar a cultura e as culturas em sua relação com o sujeito do desejo e os direitos dos sujeitos/cidadãos? Os discursos correntes e a construção de novos discursos, entre os quais o discurso da psicanálise, permitem reinterpretar o campo social contemporâneo de forma inovadora? O que pode fazer corte em paradigmas sócio-culturais estruturados?  Racismo, exclusão, dor de existir?

Mesa 2 - A infância da Dor e a Dor da Gente: Esta mesa considera os recentes trabalhos e pesquisas vinculados ao atendimento de crianças e adolescentes, moradores de comunidades periféricas, com alto grau de violência social e familiar. Quais são as implicações decorrentes do modo como as próprias crianças e adolescentes interpretam a realidade em que vivem? Como comparece e quais são as propostas da psicanálise no tratamento da angústia desses meninos e meninas que vivem nessas comunidades? São estas angústias diferentes das experimentadas por qualquer criança ou adolescente? Quais são as implicações das formas de interpretação e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente? Quais seriam as perspectivas da infância brasileira do ponto de vista sócio-cultural?

Mesa 3 - Do Martírio à Malandragem: os mitos Saci Pererê e Negrinho do Pastoreio - Foco no imaginário popular desses mitos e a correlação entre as malandragens e os dramas sociais vividos por nossa gente, em qualquer idade, desde infância. Esta mesa toma como referência esses dois mitos populares dos séculos XVIII e XIX, onde num se identifica a picardia, a pilhéria e no outro o drama, a tragédia, e busca relacioná-los com a dinâmica de inúmeros e anônimos protagonistas do cotidiano da cidade, que se expressam no nosso dia a dia.  

Mesa 4 - Literatura Afrobrasileira e Pulsão: A proposta desta mesa é de estabelecer uma relação entre a pulsão expressa por autores afro-brasileiros clássicos como Cruz e Sousa, Lima Barreto, Machado de Assis, dentre outros, e a geração de escritores negros que surgiu nos anos 70, com a proposição de insurgência estética e política, utilizando o texto como meio de militância de combate ao racismo.

Mesa 5 - Das Caravelas e Tumbeiros ao Hip-Hop: A mesa pretende discutir as expressões de júbilo e riqueza e de aniquilamento e resistência decorrentes das relações vividas no período da escravidão, desde a fragmentação do indivíduo ao embarcar nos tumbeiros à sua redenção como sujeito, ainda hoje em ambiente social adverso. Daquela condição de escravo, hoje a população afrobrasileira busca expressar-se das mais diversas formas e uma das mais insurgentes, críticas, pragmáticas e produtivas, é o Hip Hop. Como poderíamos pensar a especificidade, o lugar e o impacto da intervenção proposta pelo Movimento Hip Hop?